
“Parcerias com as principais empresas mundiais obtentoras de novas variedades” – Raiz da Terra
Raiz da Terra fue recientemente destacada por PME Magazine en una entrevista que da a conocer la trayectoria de la empresa, su apuesta continua por la innovación, la sostenibilidad y la cooperación internacional, así como una estrategia claramente orientada a la exportación de plantas ornamentales.
En esta conversación, el fundador José Augusto Martins comparte la visión que ha guiado a la empresa desde 2002 y explica cómo las alianzas con entidades científicas y con los principales obtentores mundiales de nuevas variedades han sido determinantes para consolidar a Raiz da Terra como una referencia en el sector.
A continuación, presentamos la transcripción íntegra de la entrevista publicada por PME Magazine.
Por: Ana Marisa Vieira
Num setor tradicionalmente associado a pequenas explorações familiares, a Raiz da Terra construiu, ao longo de mais de duas décadas, um modelo empresarial especializado e orientado para a exportação.
Fundada em 2002, no Vale do Âncora, Caminha, a empresa apostou na produção de plantas ornamentais de exterior, cruzando investigação aplicada, práticas ambientais responsáveis e a colaboração com o sistema científico.
Atualmente com cerca de 80 colaboradores, a Raiz da Terra desenvolve a sua atividade numa área total de 4,5 hectares de estufas e 20 hectares dedicados a plantas-mãe.
Especializada na produção de plantas jovens para viveiros de engorda de plantas ornamentais, a empresa trabalha com ciclos de produção longos, exigindo que as encomendas sejam realizadas com cerca de um ano de antecedência.
Em entrevista à PME Magazine, José Augusto Martins, fundador da Raiz da Terra, explica como a inovação, a sustentabilidade e a cooperação têm sido determinantes para consolidar a sua posição num mercado global exigente.
PME Magazine (PME Mag.) – Como surgiu a Raiz da Terra?
A Raiz da Terra surgiu em 2002. Com base no conhecimento e na experiência dos membros da equipa no setor das plantas ornamentais, tornou-se percetível a crescente importância e o grande potencial da produção de ornamentais de exterior na nossa região. Contudo, para dar início a este projeto, seria necessária uma elevada especialização e as vendas deveriam estar igualmente direcionadas para o mercado externo. Após esta fase de diagnóstico, surgiram três questões-chave do processo:
• O que fazer?
A resposta a esta questão foi relativamente simples: ir ao encontro das necessidades do mercado. Para possibilitar a satisfação dessas necessidades, tornou-se crucial estabelecer parcerias, nomeadamente ao nível da comercialização, uma vez que esta fase da cadeia exige elevado profissionalismo e especialização.
• Como fazer?
A experiência e os conhecimentos técnicos da equipa, aliados à colaboração de fornecedores, clientes, parceiros e entidades públicas, constituíram elementos de grande importância para alcançar produções de elevada qualidade.
Onde fazer?
• Esta foi a questão mais complexa de responder, uma vez que, nesta região, os terrenos são de pequena dimensão e apresentam preços por metro quadrado bastante especulativos. Após a aquisição de terrenos com as características necessárias, foi possível dar continuidade ao projeto, que desde o início se pretendeu que viesse a tornar-se um modelo de referência na região.
Produtos vendidos: Planta jovem em alvéolo de arbustos, coníferas e tapizantes.
PME Mag. – Conseguem identificar alterações nas preferências dos clientes nos últimos anos? E qual a tendência atual?
Como trabalhamos para mercados muito diferentes, do norte da Europa ao Sul, passando por vários países do leste europeu, não conseguimos identificar um padrão de consumo.

Equipa Raiz Terra: José Augusto Martins, Bruno Silva, Hugo Cunha, Ricardo Simões, Luis Branco, Susana Fão e Ilda Lima (Foto Divulgação)
PME Mag. – De que forma a sustentabilidade está presente nas vossas práticas operacionais e nas vossas instalações?
A sustentabilidade faz parte do nosso ADN desde o início, numa altura em que este tema ainda era pouco abordado. Desde a primeira hora, compreendemos que uma empresa deve assentar em três pilares fundamentais: económico, social e ambiental. Assim, as nossas preocupações estão sempre alinhadas com a rentabilidade, com a valorização da nossa equipa, com a comunidade onde nos inserimos e com a adoção de boas práticas ambientais.
Podemos destacar alguns exemplos simples, mas que fazem a diferença:
• Utilização de terrenos agrícolas abandonados para a instalação de plantas-mãe, contribuindo ativamente para a redução do risco de incêndio e, simultaneamente, para o aumento da diversidade biológica do Vale do Âncora.
• Utilização sistemática de insetos auxiliares, reduzindo drasticamente o recurso a pesticidas.
• Apoio regular a instituições da região de cariz social, cultural e ambiental.
• Preocupação constante com as condições de vida dos nossos colaboradores, não apenas no contexto laboral, mas também na sua vida pessoal, apoiando sempre que necessário o equilíbrio entre finanças, família e trabalho.
• Instalação de sistemas de rega de precisão, permitindo uma redução significativa do consumo de água.
• Estabelecimento de parcerias com as principais empresas mundiais obtentoras de novas variedades, testando continuamente a sua adaptação ao nosso clima e avaliando a sua possível introdução no mercado.
PME Mag. – Em 2025, a Raiz da Terra recebeu a distinção de Empresa Inovadora atribuída pela COTEC Portugal. Que iniciativas concretas de inovação foram valorizadas e como é que esta distinção tem impacto na vossa estratégia e credibilidade no mercado?
Sim, recebemos esta distinção todos os anos desde a sua criação, em 2021, o que comprova que a inovação faz parte do nosso ADN.
Em 2025, entre outras iniciativas, participámos num consórcio com o Instituto Politécnico de Bragança (IPB) e várias outras instituições, no âmbito de um projeto que visa identificar um substrato passível de ser utilizado na Horticultura Ornamental, recorrendo a matérias-primas locais e sem utilização de turfa. Caso seja possível identificar um substrato funcional, este poderá constituir uma forte alavanca para o desenvolvimento da Horticultura Ornamental em Portugal.
PME Mag. – 80% dos vossos produtos são para exportação. Quais são os principais mercados com que trabalham e quais as especificidades?
Em 2025, vendemos para 12 países da Europa, sendo os principais mercados Espanha, Portugal, Holanda e França.
Como trabalhamos com um produto altamente especializado — planta jovem ornamental — e produzido por encomenda, à medida do cliente, todas as especificações são definidas de acordo com as solicitações de cada cliente.



